Carlos Brando

Nome do Jogo

Estranhos conhecidos

Estranhos conhecidosUma vez li um artigo que diz que em apenas um dia de nossas vidas, vemos mais pessoas que um camponês da idade-média veria durante toda sua existência. Quantas pessoas entram e saem de um vagão de trem? Eu recorro ao trem todos os dias como meio de transporte para vir ao trabalho. As pessoas na estação caminham silenciosas lado a lado. O que pensam? Para onde vão? “Cada um traz consigo sua própria dor e todos têm seus próprios sonhos e temores” Olho pela janela do vagão. A cidade inteira parece caminhar sozinha. O trem chega todos os dias no mesmo horário. Ele não atrasa, a não ser em dias de chuva. Hoje ele não atrasou. Sento-me todos os dias no mesmo lugar e vejo as mesmas pessoas. Elas estão comigo de segunda a sexta. Eu mal vejo meu irmão e minha mãe todos os dias.. Conheço seus rostos, seus hábitos, sei o que lêem. Vejo onde elas descem e quem as espera. Mas quem é? Eu não saberia dizer um nome sequer. Não há “bom dia, como vai?” Eu silenciosamente as observo.

Não há calor, somos todos desconhecidos que marcam um encontro todos os dias. O que contariam se me conhecessem? Diriam sobre seus sonhos? Seus filhos e netos? Dividiriam seus medos? Vamos falar sobre a vida, não vamos ser superficiais. Vamos falar coisas profundas não quero títulos banais. Vamos falar sobre amor, não vamos falar sobre rancor.

Será mesmo necessário tanto espaço pra ficar sozinho?

Eu não vou começar a falar com “estranhos”, e isso também não é um pedido pra que alguém o faça. Isto é só uma observação silenciosa de como um sorriso ou um leve bom dia pode nos fazer mais próximos de seres-humanos.

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