Carlos Brando

Nome do Jogo

Resolvendo impasses

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Sou fã do blog Signal vs. Noise de uma longa data. E já faz um tempo que eles estão fazendo uma série de posts chamada “Ask 37signals”, onde Jason Fried e outros respondem à perguntas enviadas pelos leitores. Estes são sem sombra de dúvidas os melhores post (na minha opinião) do blog. Eu vou tentar então sempre que sair um destes, traduzir e colocar alguns comentários meus.

A pergunta foi:

… Imagino que não há muito deste negócio de hierarquia na 37signals. Mas, e quando vocês chegam a um impasse, e uma decisão deve ser tomada, quem é que manda? Refiro-me mais a decisões de design e não à decisões comerciais.

Uma coisa que chama à atenção é que a 37signals tem apenas 10 funcionários, sendo que Jeffrey Hardy entrou ontem para o time. Mas isto não a torna uma pequena empresa, pelo contrário, é uma grande empresa com poucos funcionários. E o mote ”menos é mais” é o que torna a 37signals tão interessante.

Vamos a resposta de Jason Fried:

Raramente, para não dizer nunca, nos envolvemos em impasses quanto a decisões de design. Um impasse só acontece quando alguém tem de pedir autorização para fazer alguma coisa e o outro lado diz não. Uma discussão só acontece quando nenhum dos lados está disposto a ceder.

Caindo na Real acaba com os impasses

Nós não nos envolvemos neste tipo de discussão. Se alguém sente que deve mudar algo, ele simplesmente 1. muda, ou 2. cria um protótipo para ver como fica. Assim que temos algo real, então podemos tomar uma decisão melhor, já que possuímos mais informações sobre o assunto. Neste ponto é muito difícil termos um impasse. Impasses são mais freqüentes quando se tem um produto abstrato ou ilusões equivocadas. A metodologia Caindo na Real acaba com os impasses antes mesmo de eles acontecerem.

Assumindo a responsabilidade para resolver conflitos

No entanto, quando temos dois pontos de vista diferentes ao tomar uma decisão de design, nós normalmente acabamos com a tensão nomeando a pessoa com a idéia revolucionária como responsável por qualquer questão relacionada com a sua decisão. Por exemplo, se Ryan quer fazer algo de uma maneira, e eu quero que seja de outra forma, eu digo: "Ok, Ryan, vamos com a sua solução, mas você é o responsável por todo o suporte por email, confusão, ou questões que estiverem diretamente relacionados com a sua implementação." Ryan pode aceitar essa responsabilidade e ir em frente, ou ele pode dizer: "Isto não vale a pena agora, vamos adotar a sua sugestão." Ou talvez, entramos em um acordo de não fazer nada naquele momento. Esta também é uma decisão razoável.

Decisões são temporárias

Quando se tem em mente que decisões são temporárias, nós estamos abertos a rever, reparar ou mudar uma decisão se isto for melhor para o projeto. Ninguém na 37signals perde tempo em uma decisão ruim. Se é uma má decisão, nós fazemos o máximo para melhorá-la. Em vez de jogar dinheiro fora, nos livramos do lixo e tentamos algo diferente. Normalmente, percebemos se algo não vai dar certo bem rápido. Nós não podemos fingir que está tudo bem o tempo todo. Portanto, se você estiver em um impasse, escolha uma equipe para tocar a implementação, dar suporte e pegar o feedback do cliente. Eles sentirão se vale a pena avançar. Ou podem ter uma segunda opinião. De qualquer forma, esta é a melhor maneira acabar com um impasse.

Infelizmente se você trabalha e uma “grande” empresa, dificilmente você conseguirá este tipo de poder de decisão, já que as pessoas estão muito mais preocupadas com sua superioridade (quem toma as decisões é o chefe e ponto) do que com o projeto ou com a empresa. Mas em empresas menores isto é possível, pois a árvore hierárquica é muito menor, quando existe.

A Surgeworks tem um gostinho de 37signals. Não me lembro de nenhum impasse. Toda vez que apareci com alguma sugestão fui ouvido e algumas vezes seguimos em frente com ela, em outros casos escolhemos seguir outro caminho, mas nunca ficamos parados muito tempo discutindo algo.

E aí, como vocês resolvem os impasses na sua empresa?

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