Carlos Brando

Nome do Jogo

Não se fazem mais programadores como antigamente

Acredite, nem sempre houve interfaces gráficas. Meu primeiro contato com um computador foi feito através de uma tela preta com letras verdes. Não me lembro exatamente, mas provavelmente era alguma versão do MS-DOS ou do PC-DOS.

Qualquer criança com acesso a um computador nessa época, rapidamente aprendia a manipular arquivos e diretórios através de comandos básicos que o sistema operacional oferecia. Era necessário aprender esses comandos se quisesse se divertir com um novo jogo, por exemplo. Além disso, muitos jogos mais sofisticados exigiam que o usuário entendesse, mesmo que superficialmente, como o sistema operacional manipulava a memória. Termos como memória estendida, superior, convencional e expandida eram comuns na roda de amigos.

Pode parecer nostalgia, mas mesmo depois de mais de uma década, todo esse conhecimento básico continua me sendo prático até os dias de hoje. Afinal, a maior parte do meu trabalho é resolvido através daquela mesma janela do terminal.

É claro que muitos programadores conseguem realizar todo o seu trabalho através de uma um ambiente integrado de desenvolvimento (IDE). Mas será que realmente podemos fazer tudo igualmente bem apontando o ponteiro do mouse e clicando?

Eu sempre acreditei que não. Interfaces gráficas são ótimas e realmente convenientes para muitas situações, mas o seu poder também é a sua limitação. Quando nos tornamos dependentes de uma interface gráfica (GUI) para realizar nosso trabalho, estamos presos à imaginação dos desenvolvedores que a criaram.

No terminal, nossa liberdade é quase infinita. Não vamos encontrar nada muito sofisticado lá, a maioria dos comandos e utilitários realizam apenas uma única tarefa. Mas realizam essa tarefa muito bem. Não existem distinções entre documentos, diretórios, discos rígido, drives de CD e DVD, teclados, impressoras e monitores por lá. Todos são simplesmente arquivos e são manipulados como tais, o que facilita muito as coisas.

Mas a maior vantagem do terminal é que podemos facilmente combinar sequencias desses comandos em scripts, o que nos dá a liberdade de automatizar praticamente qualquer tarefa que podermos imaginar, algo essencialmente importante para um programador pragmático que se preze.

Tire o máximo de proveito da sua IDE, mas não ignore o terminal. Aprender a usar bem o shell deve ser uma prioridade para qualquer programador iniciante.

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